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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A alegria reencontrada


"Ninguém me disse que perdoar assemelhava-se a peregrinar. Compreendi-o há pouco tempo, como se despertasse diante de uma paisagem desconhecida. Descortinou-se de repente o longo caminho, chamando-me... E muitos encontros incentivaram-me a seguir adiante. Sozinho, na verdade, eu jamais teria avançado.

Aprendi que há etapas fundamentais e as percorri, auxiliado pelos que andaram o caminho antes de mim. Comecei pela difícil tarefa de admitir que o mal atingiu e feriu meu sentimento do mundo. Depois, consegui expressar minha indignação diante da violência, sem deixar-me levar pelo ímpeto da vingança. A seguir, fui conduzido ao conhecimento interior do sofrimento, em mim e em quem me ofendeu. E me converti, assim, à compaixão. Enfim, percebi que não há como “pagar”, nem mesmo ao preço de uma vida, a dívida que meu agressor contraiu junto a mim. Mas valeria a pena apostar na justiça do perdão? Por que peregrinar?


Respondo recordando ao leitor a “prisão infernal”, que consiste em viver acorrentado a meu ofensor pelo ressentimento e o desejo do revide. Quem espera receber compensação por um prejuízo infinito aprisiona-se indefinidamente. Ora, a dívida do ofensor tem esse caráter infinito, ela jamais será paga, porque atingiu minha dignidade e provocou dor sem medidas. E quando tudo o que ocorre ganha a tonalidade da dor, nada haverá de curá-la.

Mas há uma saída interior. A do ato que jorra surpreendente da liberdade humana, ato espiritual e gracioso, que revela ao mundo o “poder de perdoar”. Somente o perdão quebra a corrente, deixa partir meu ofensor e, em consequência, me liberta.

Desde criança, ouço a prece que diz “perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos a nossos devedores”. Não haveria, nesta prece, sabedoria de vida para mim? Eis como a interpreto: enquanto eu estiver ligado a meu ofensor, estarei também ligado à dívida. Mas se me desligo, não há mais dívida que me prenda. O perdão dado a outro não consistiria, portanto, em acolher o perdão para mim? Afirmo que sou perdoado ao perdoar. Defendo que recebo de volta minha liberdade, quando liberto meu ofensor: – “Tu nada mais me deves, porque nada podes me dar que compense a ofensa que me impuseste. Estás livre, porque a força do perdão me libertou de ti”. E a consequência da liberdade revivida será alegria e paz. 


Torna-se então possível realizar algo em favor de meu antigo ofensor. Se ele nada pode fazer para compensar o mal que me impôs, deve saber ao menos que me maltratou e receber a “pena” salutar que o corrija. Desejo que ele não me ofenda novamente. Tomarei, portanto, as providências para sanar o mal na raiz, sem contentar-me com a vingança que o perpetuaria.

Somente o olhar da compaixão e a compreensão de que nada pode compensar a violência sofrida guiam-me ao ponto de chegada da peregrinação do perdão, ao ato espiritual que revela ao mundo o poder de perdoar. Entre mim e meu ofensor somente, ou com a ajuda de testemunhas, irei confrontá-lo para fazer-lhe correções, com a intenção de reerguer este “companheiro na dor” e libertá-lo da violência que o dominou.


Se for bem sucedido nessa travessia e guiar o violento ao arrependimento de seus atos, se ele se dispuser a uma reparação cujo fim é torná-lo melhor, então, terei ganhado um irmão. Mas se ele não quiser me escutar, se obstinar-se no mal cometido, não restará outra opção senão entregá-lo à misericórdia divina, e afastar-me. Seguirei meu caminho, porém, libertado da dor!


O vínculo humano fundamental não se rompe sem causar sofrimento e agressão em retorno. Resgatar a humanidade, em mim e no outro, eis o que restabelece a alegria de viver. Desgarrara-me no abismo da ofensa, mas reencontrei-me no caminho do perdão. Agora conheço o poder de perdoar. E compreendo a palavra que diz: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.".

autor: Álvaro Mendonça Pimentel - disponível em http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=3598

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


"Quem quiser fugir das incertezas da fé, terá de suportar as incertezas da ausência de fé e nunca poderá dizer com certeza definitiva que a fé não é a verdade".(Card.Ratzinger).


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Persevere nos sonhos que Deus tem para você !


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Perseverança, a medida certa
A esperança é a seiva motriz da vida

Uma maneira concreta de extrair a vida de alguém é roubar os sonhos que lhe são próprios. Nossos sonhos e esperanças são a força que faz a vida desabrochar dentro de nós. É triste, mas infelizmente real, nos encontrarmos contemporaneamente com muitas pessoas que já deixaram de sonhar e de acreditar que a vida pode ser melhor, que o sonho pode se encarnar e que a esperança pode florescer.

Não é custoso perceber que, na maioria das vezes, as frustrações acontecem porque se espera por coisas que não deveriam ser buscadas (esperadas). Confia-se em promessas irreais e, por fim, acaba não existindo uma concreta perseverança naquilo que é essencial e que deveria realmente ser buscado.
Existem muitos que apostam “tudo” em ilusões e em relacionamentos desleais (impossíveis), pautando a vida em realidades sem um fundamento que possa, verdadeiramente, saciar a ausência presente na vida e no coração.

A esperança é, sem dúvida alguma, a seiva motriz da vida. Porém, é preciso esperar bem, aprendendo a escolher sabiamente em quem esperar, para que assim a perseverança e a luta pelo que se sonha sejam possíveis e, esse sonho possa verdadeiramente assumir cores de realidade.
Quando se luta por sonhos ancorados em um fundamento além de nós mesmos, em que as esperanças se prendem a elementos de eternidade e se construam sob a lógica do amor, a vida começa, de fato, a ter e a ser sentido.

É preciso sonhar bem com realidades nas quais não esteja em jogo somente a “minha” (egoísta) felicidade. No ato de sonhar precisam estar contidas realizações que despertem, também em outros, a vontade de sonhar.

Enfim, detectada a veracidade e a consistência de nossa esperança (sonho), é necessário que nos lancemos no universo da perseverança, para que assim possamos construir o que buscamos, e isso a partir de nossa luta e persistência. Isso mesmo: persistência. É preciso perseguirmos nossos ideais sem nos determos nos “encantos” do caminho.

Existem muitos sonhos que o próprio Criador compôs dentro de nós. Esses são sempre possíveis e reais e necessitam de nossa perseverança para se concretizarem.
Quando o desânimo e o cansaço, sintomas próprios do caminhar, fizerem morada dentro de nós, precisaremos reagir aos mesmos ,munidos da força da perseverança e do espírito de luta, pois a perseverança é sempre a medida certa para grandes realizações.

Sem perseverança e persistência não poderá haver uma real vitória. Sem uma luta persistente, nosso sonho continuará apenas sonho. São nossas iniciativas – aliadas a um Amor maior – que os poderão trazer, com intensidade, ao protagonismo da realidade (da nossa vida).
Mesmo quando nosso sonho parecer cair por terra, faz-se necessário continuar crendo e perseverando, cientes de que toda vitória é precedida por algumas quedas e por uma concreta “não desistência”.

Independentemente do quanto já foi percorrido ou ainda falta caminhar, necessário e bom é prosseguir perseguindo a meta, não deixando de acreditar diante dos insucessos e sabendo que a perseverança é a medida certa para toda e qualquer vitória.

Não desista de seus sonhos e lute, lute sempre, pois, a vida reserva belas surpresas para aqueles que não desistem dela.

Coragem!

Pe. Adriano Zandoná 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E pensar que é simples...


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Um olhar simples sobre todas as coisas

Traumatizantes são as reações que temos diante dos acontecimentos

Nós falamos várias vezes sobre o olhar de Deus, Ele tem o olhar que nos cura. Muitas vezes, olhamos para a Hóstia Consagrada, mas é importante nos darmos conta de que o que nos cura é o olhar que o Senhor tem para nós.

Mas, neste texto, quero falar sobre o nosso olhar, existe o olhar de Deus sobre nós, mas se nós somos curados pelo olhar do Senhor, essa cura proporciona a nós um olhar curado, uma forma nova de olhar o mundo.

Ninguém traz uma lâmpada para colocá-la num lugar escondido ou debaixo de uma vasilha; coloca-a no suporte, a fim de que os que entram vejam a claridade. A lâmpada que ilumina o corpo é o olho (cf. Lc 11,33-34a). São Lucas era médico, mas também era pintor, fez diversos ícones da Virgem Maria, como nos ensina a Sagrada Tradição. Jesus diz que a lâmpada que ilumina o corpo é o olho, todos sabemos que o olho não tem luz própria, mas aqui Ele não fala sobre a biologia do nosso corpo, Ele revela o segredo da alma, existe uma forma de enxergar o mundo que nos ilumina e uma forma que nos leva às trevas, Ele fala da visão espiritual.

"Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz; mas se teu olho for ruim, ficarás todo em trevas!
35. Examina, pois, se a luz em ti não são trevas!36.Se então teu corpo estiver todo cheio de luz, sem traço algum de escuridão, ficarás totalmente iluminado, como acontece quando a lâmpada te ilumina com seu clarão" (Lc 11,34b-36). Ele fala de uma iluminação interior. O olho seria a janela da alma, essa abertura pela qual a luz entra no nosso interior, na nossa alma. Nós precisamos ter um olhar diferente sobre o mundo, isso faz a diferença.

Nenhum acontecimento na sua vida o traumatiza, o que traumatiza é a reação que você teve diante do acontecimento. Nós somos livres para reagir diante da vida. O que muda é nossa reação, não é o que você viveu, mas como você reagiu no que viveu. A diferença está no olhar de como você olha diante das realidades, diante do mundo. Sofrimento todo o mundo tem, mas como você reage diante da cruz da vida?

A maturidade humana se mede diante da capacidade que a pessoa tem de experimentar o sofrimento e transformá-lo numa coisa positiva.
Existem dois tipos de adulto, aquele que sofre e se torna algo destruidor, transformando em coisas que fazem mal a ele (depressão), e aquele que sofre e é capaz de transformar aquilo em cruz que o leva à ressurreição.Ou você abraça sua cruz e corre para ressurreição ou você foge dela e morre esmagado por ela.

O olho é a lâmpada do corpo. “Se teu olho for simples, ficarás todo cheio de luz”. Simples é ser sem dobras. Uma coisa complicada é uma coisa que foi dobrada, que não consegue se ver facilmente. Simples é uma coisa aberta, as coisas de Deus são simples, nós que somos complicados; o Altíssimo quer que tenhamos um olhar simples sobre as coisas. Eu quero ajudá-lo a ter um olhar simples sobre as coisas.

O que nos faz ter um olhar complicado diante das coisas é ficarmos olhando para nós mesmos; atitude do egoísmo. Vamos olhar o mundo com a simplicidade de Deus. Ele nos colocou neste mundo para preparar o céu, mas nos esquecemos disso e complicamos tudo. Esquecemo-nos dessa realidade e ficamos perdidos em nossa vida. Esta vida é muito simples. Jesus disse para Marta: “Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas, uma só coisa é necessária”, ou seja, prepararmos a nossa vida para Deus.

Eu sou padre para preparar o meu céu e ajudá-los a chegarem ao céu. Olhe para sua vida de uma maneira muito simples, de quem está preparando o seu céu. Minha vida seria muito complicada se eu, como sacerdote, estivesse preocupado com minha carreira, em ser bispo, ser famoso. Não adiantaria nada conseguir tudo isso e perder o meu céu. A simplicidade é preparar o meu céu.

Da mesma forma, para você que vai se casar: a felicidade existe, mas não será seu (a) esposo (a) que lhe dará a felicidade. Sua felicidade está em preparar o céu. Seu (a) companheiro (a) é alguém que o ajuda a ir para o céu. Jesus nunca prometeu felicidade a ninguém nesta terra. Mas no céu você terá a felicidade. Quem promete felicidade aqui é o diabo e ele sempre dá o inferno.

Esta vida é bonita, é boa, tem alegria, sim, para nos dar, mas a felicidade é sempre marcada por uma tristeza, o prazer é sempre empanado por uma dor, a vida é assim. Não há nada errado com sua vida, aqui existem coisas boas e bonitas, mas aqui é só um "tira-gosto", o "banquete" será no céu. Aqui nunca haverá felicidade completa; eu sou profundamente feliz por saber que isso aqui não é tudo. A vida é bonita, mas se ela for tudo ela se torna uma má notícia. O "tira-gosto" é bom, mas ele pesa no estômago. A vida é bela, mas queremos muito mais.

Jesus olhava para esta vida, dando a vida, nós precisamos dar a vida, amar. O que complica nesta vida é não enxergarmos o amor de Deus. Se você ama os outros, Deus o amou primeiro. O olhar complicado é da pessoa que não abre o olho para ver o amor de Deus em primeiro lugar. Muitos acham que amam primeiro e, então, se cansam de amar e querem somente ser amados. Isso é um olhar complicado. Abra o olho e enxergue que Deus o amou primeiro! Você responde ao amor de Deus amando as outras pessoas. Você já é amado. Se seu olhar for simples, você enxergará que já foi amado. Uma pessoa que não se sente amada é como um homem que possui trilhões em dinheiro no banco e fica na rua mendigado.

Se seu olhar é complicado a sua vida se tornará trevas e, dessa forma, viverá sem a luz que vem de Deus. Nós como cristãos podemos pedir a Deus um novo olhar, um olhar simples, para enxergarmos as coisas sem que elas nos destruam, sem que elas afetem o amor do Senhor em nossa vida. Jesus também sofreu, chorou, viveu a cruz. Não estou aqui propondo a "mágica da Poliana", que é uma menina da literatura que descobriu que sofreria menos se visse o lado positivo de todas as coisas; não é isso que estou propondo. O pecado continua sendo terrível, satanás continuará nos tentando para perdemos a vida eterna, mas faz parte do nosso arsenal de guerra ter um olhar simples.

Estou aqui para preparar o meu céu e a única forma de conseguir isso é amando os outros. Dizer que crer no céu atrapalha o amor é não entender nada de céu. Nós queremos a Páscoa do céu, mas não existe ressurreição se nós não abraçarmos a cruz. Examine como você está olhando a vida, se está olhando o "tira-gosto" como se fosse um "banquete", querendo da vida aquilo que ela não pode lhe dar. Se você mantém o foco no amor de Deus tudo muda.

Eu não sei o que será de mim amanhã, a vida muda tanto. Quando fui ordenado sacerdote nunca pensei que faria programa na TV, que teria um site na internet, eu pensava no meu sacerdócio de uma forma totalmente diferente. Pense se eu ficasse apegado aos sonhos de 19 anos atrás. Deus lhe dá circunstâncias diferentes.

As pombas são simples, pois elas voam reto, e sabem aonde vão chegar. Precisamos ter a simplicidade da pomba, mas a prudência da serpente, ela caminha de forma sinuosa e dribla os obstáculos. Tenha jogo de cintura, saiba refazer os seus planos em cima das cinzas de seus planos antigos. Deus preparou um lugar para mim no céu e lá há felicidade. Enquanto isso a felicidade daqui é sempre manchada por um pouco de tristeza, por isso precisamos viver a simplicidade da pomba e a prudência da serpente.
Padre Paulo Ricardo
15/09/2011 - 08h25  
 Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12493

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A vontade de Deus e a humana


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A vontade de Deus e a humana

Muitos cristãos, decepcionados, se revoltam contra Deus

Jesus afirmou: “Não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,30). Aliás, na Agonia no Horto das Oliveiras, Ele assim orou: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; contudo, não se faça como que quero, mas como tu queres” (Mt 16, 39). Deixou magnífico exemplo para Seus seguidores. Santo Agostinho, sabiamente, ensinou que “a vontade é a potência pela qual se erra e se vive com retidão”. Daí a necessidade da atenção para com essa faculdade da alma que pode ser prejudicada pela indecisão ou falta de resolução firme para aderir às inspirações divinas.

Todo progresso espiritual consiste em desejar firmemente seguir os ditames celestes. A egolatria pode sutilmente levar o cristão a não querer se sujeitar à voz de sua consciência. Daí a necessidade da maleabilidade nas mãos do Divino Espírito Santo, para que todas as intenções sejam verdadeiramente retas e não meros caprichos humanos. Eis porque advertia São Paulo aos Filipenses sobre aqueles que buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo (cf. Fl 2,21). Donde ser preciso solicitar sempre a graça da constância para que se fuja da precipitação, da volubilidade, não sendo nunca o discípulo de Cristo irresoluto e instável, conforme advertiu de São Tiago (cf. Tg 1,8).

Para isso mister se faz equilibrar o coração com a inteligência. Estando esta iluminada, cabe à vontade executar com sumo amor e total disposição o que deve ser realizado em cada momento. Aliás, a finalidade última de toda oração deve a total conformidade com os desígnios do Ser Supremo.

Esta imolação da vontade própria é sumamente agradável a Deus. Tudo depende do domínio de si mesmo, o qual torna o cristão imune aos desvios que impedem sua adesão ao bem a ser praticado. Nunca se pode esquecer que a fidelidade, mesmo nas pequenas atitudes, cerra a porta a quase todos os males das potências superiores da alma, pois treina a vontade para o total autodomínio, levando a uma tranquilidade absoluta no falar e no agir, graças ao valor das virtudes internas do espírito. Chega-se então àquela moderação de que fala São Paulo a Timóteo, levando cada um “uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e decoro” (1Tm 2,2). É que aceitar a vontade de Deus em todas as circunstâncias, durante todo o dia, é uma grande prova de amor. 

Convém, porém, notar que, sendo Deus luz e amor, Ele se comunica com a pessoa humana de vários modos. São João da Cruz, sem querer, evidentemente, fazer um jogo de palavras diz que “às vezes percebe-se mais conhecimento do que amor; outras, mais amor do que inteligência ..., ou só conhecimento e nada de amor ..., ou só amor sem nenhuma informação do Espírito Santo”. O que vale, contudo, na prática, é a reta intenção de fazer o que Ele quer e não o que cada um desejaria fazer. É que um ato de vontade constante, feito com total dileção para com Deus, vale muito mais do que os grandes heroísmos passageiros, esporádicos. É desse modo que a vontade humana vai se tornando livre e generosa, como era a de Cristo, o qual pode dizer ser Seu alimento fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4,34). É lógico que esta conformidade absoluta com os desígnios de Deus leva o cristão a suportar com paciência todas as incongruências de uma passagem por este "vale de lágrimas" como é o presente exílio nesta terra. Estas provações então purificam o coração como o ouro no crisol.

Quantos cristãos, infelizmente, quando Deus permite qualquer desgosto, por pequenino que este seja, chegam até a se revoltar contra Ele. Ainda bem que o Onipotente é paciente, pois poderia punir imediatamente estes insurgentes. Por tudo isso, o acatamento de tudo que Deus permite se torna fonte maravilhosa de merecimentos. A dependência filial em todas as circunstâncias da vida, este abandono amoroso nas mãos da Divina Providência, este oferecimento habitual nas dificuldades que surgem, esta paciência inalterável atraem o beneplácito do Todo-Poderoso Senhor. É quando o cristão deve se lembrar das palavras de São Paulo aos Coríntios: “Realmente, o leve peso de nossa tribulação no momento presente, prepara-nos, além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória; não que nós olhemos as coisas visíveis, mas para as invisíveis; é que as coisas visíveis são transitórias, ao passo que as invisíveis são eternas” (I Cor 5,417-18). Além do mais, a imperturbabilidade é o venturoso resultado da aceitação de tudo como vindo da mão de Deus. Tudo é, deste modo, contemplado pelo prisma da Divina Sabedoria.

É dessa maneira que o querer humano vai se transformando no querer divino. Pensar, desejar, aspirar, sentir em tudo conforme a adorável Vontade Divina deve ser sempre o grande intuito do verdadeiro imitador de Jesus Cristo.
Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos
23/08/2011 - 00h00

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=12465

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Perigos da Tagarelice





“A boca fala daquilo que o coração está cheio”. (Mt 15,18)
Sabedoria Divina, palavra de Deus.

Cuidado com o seu falar.

Mas principalmente, cuidado com o seu falar sobre o outro.

Falar COM OS OUTROS sobre coisas e vidas alheias é muito fácil, 
difícil é ter coragem de dizer o mesmo, com as MESMAS palavras, diante de quem se fala!

Julgar uma situação, falar de algo que NÃO te pertence e que você NÃO conhece o inteiro teor é imprudência.

E não pense você, que se o comentário não é seu, se não saiu da sua boca, que você está isento de culpa! 
Ah, quem se cala, consente!  Seu dever é o de interromper a fala imprudente e o comentário indevido, vulgo "fofoca".

E não se iluda: a partir do momento que uma palavra sai da sua boca, você não tem mais NENHUM controle sobre ela! Isto é, quem te garante que o que você falou, da sua maneira, ou de uma maneira pior ainda, mas com o seu nome no meio, não irá chegar ao conhecimento da pessoa de quem você falou???
E quase sempre, sempre, chega! 

E sabe o que é pior quando chega? É porque a flecha atirada volta para você mesmo: "a boca fala do que o coração está cheio", esse é seu interior? Cheio de sentimentos ruins, inveja alheia?

  A palavra  maldita é um mal contra você mesmo,  além de não controlá-la, você não pode freá-la, e ela é, nada mais, nada menos, que uma denúncia, uma exposição do que você tem no seu coração. 

Cuidado ao falar dos outros, ainda que seja um comentário despretencioso, cuidado!

 Antes de falar, reflita: 
Eu falaria isso na frente dessa pessoa de quem estou falando? 
Meu comentário é bom? porque se for algo ruim, guarde para você, caso contrário você corre o risco de ser mal interpretado! 
Minhas intenções, ao fazer esse comentário, são realmente boas? 
Meu comentário é, de fato, necessário? 

"Quem vive tagalerando revela segredos;
o homem leal esconde o que precisa" (Provérbios 11, 13)

"Quem vigia a boca protege a própria vida;
arruína-se quem escancara os lábios." (Provérbios 13, 3)

"As intenções do ímpio serão examinadas, e o som de suas palavras chegará até o Senhor,
como prova de seus crimes.
Há um ouvido ciumento escutando tudo;
não lhe escapa o resmungo murmurado.
Evitai, portanto, o inútil resmungar
e, para não maldizer, refreai a língua:
palavra dita em segredo não fica sem sequela,
e boca caluniadora mata a alma. (Sabedoria, 1, 9-11)

"Não repitas jamais o que dizem,
e jamais perderás coisa alguma.
Não contes nada, nem de amigo nem de inimigo;
a menos que o silêncio te renda cúmplice, nada reveles;
pois poderiam ouvir-te e desconfiar-te de ti,
e, chegado o momento, mostrar-te-iam seu ódio.
Ouviste um caso? Sê como um túmulo!
Fica tranquilo, ele não te fará estourar.
Por uma palavra o insensato mete-se em dores,
como a mulher em dores de parto.
Uma flecha cravada na carne da coxa,
tal é a palavra no ventre do tolo." (Eclesiástico 19, 7-12)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Reflexo

"Presta atenção no seu Mestre, porque é com Ele que você tem que parecer" (Pe.Fábio de Melo)
Cristo, modelo universal.
Que suas atitudes se espelhem nEle.
Que seus pensamentos sejam inspirados por Ele.
Que o seu olhar seja guardado por Ele.
Que seu coração seja morada dEle.
Que, antes de agir ou se omitir, você pense, Cristo agiria assim?
Que você não seja contra-testemunho do que você acredita e diz.
Que você seja humilde o bastante para imitá-lO, buscá-lO, querê-lO.
Que você não tenha medo de confiar nEle, no que Ele diz e te pede.
Que você não fuja do que Ele quer para você.
Que você não crie resistências para que a vontade dEle aconteça na sua vida.
Que ao te verem, os outros possam enxergar o reflexo dEle no seu olhar e no seu modo de vida.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Desata o nó

Instante.
Sente-se na calçada e pisque os olhos devagar. Veja a tarde em leves tons alaranjados. Ouça o som do vento a roçar as paredes das casas. Perceba tudo livre e carregado de porvir. Sinta, pela primeira vez em sua vida, de forma consciente e radical, a beleza do mistério.
(Zé Eduardo Guimarães. Visite: http://zeduguimaraes.blogspot.com/2011/05/instante.html )

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Entrego os remos, deixo a direção do barco....
Largo as pontas que se encontram em um nó.....
Me abandono, me entrego, me rendo ao que não entendo...
A minha defesa confio à Deus.
A minha causa Ele combate.
Mergulho, então, no mistério do devir, do desconhecido...
Ouço vozes...
Discerne então.
E espera.
Outra vez.
De novo.
Até quando?
Espera o desconhecido....
Espera desvelar-se o oculto...
Vigia.
Guarda.
Há consolo!
Deus sempre vai além:
projetos que não cabem na nossa imaginação.
Uma certeza:
quanto maior a espera, maior a graça.
Uma convicção:
passo firme mantém a caminhada estreita sem desvio de rota;
a recompensa é grande, surpreende, e não existe surpresa ruim.
Vou sempre além; confio em Deus.
Ninguém me segura, só Ele.

música: Logo após o Temporal - Rosa de saron

terça-feira, 21 de junho de 2011

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O barco está em alto mar

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece. Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se um com o oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro é renascimento. Assim somos nós: voltar é impossível na existência. Você pode ir em frente e se arriscar. Coragem, o oceano o aguarda!" Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva