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segunda-feira, 27 de junho de 2011

High Hopes

Não há vidas pequenas; 
quando as encaramos de perto, 
toda vida é grande".
(Maurice Maeterlinck)
Recebi a frase acima de um grande amigo meu.
Sabe aquelas amizades que o tempo não destrói, no sentido que você pode ficar anos sem falar com a pessoa e quando você conversa é a mesma coisa, não perdeu a intimidade, as brincadeiras continuam as mesmas, o papo flui como se tivéssemos encontrado a última vez no dia de ontem...E o melhor, não há o mínimo ressentimento pelo tempo da ausência, porque, na realidade, o coração sempre esteve perto.
Amizades assim são poucas, às vezes não dá para contar as duas mãos cheias. Pessoas que entram em nossas vidas e ficam, não estão de passagem, mas permanecem...e só o tempo prova isso...
Não que passar não seja importante, mas é que permanecer não é para qualquer um...
Permanecer requer um requisito: segurança, saber-se poder contar com aquela pessoa sempre, não importam as circunstâncias, confia-se nos braços abertos prontos para o acolhimento!
Quer fazer diferença na vida de uma pessoa? Seja isso para ela! Faça-a sentir que a distância física não existe quando o coração está perto. Faça-a sentir que pode contar com você, ainda que ela tenha sumido por anos da sua vida, perdido o contato, mudado de endereço...Quer ser grande na vida de uma pessoa? Encare-a de perto. Não tenha medo de ser para ela o que você gostaria que o seu melhor amigo ou a pessoa mais importante da sua vida fosse para você.
“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles”
(Mt 7,12).
Porque a vida é passageira, mas nem por isso o que vivemos aqui deve ser...
A eternidade aqui já se inicia sim, então, por isso mesmo, pense nas pessoas que você gostaria de levar consigo, para o resto da vida...elas realmente podem contar com você? Você já disse isso a elas alguma vez?
Permanecer também é uma forma de amar...
"Tudo que a memória amou já ficou eterno"
(Adélia Prado)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Meus amigos valem ouro!

Amizade verdadeira é para sempre.
A cada dia que passa verifico isso em minha vida.

Passei um tempo escondida de tudo e de todos, digamos que foi uma fase "fechada para balanço".
Hoje olho para trás e entendo que, naquele momento da minha vida, era tudo que eu tinha e podia fazer: eu precisava de um tempo para viver outras coisas que foram importantes para eu me tornar o que hoje eu sou.
Mas entender-me, não quer dizer que achei a minha atitude a mais correta ou que a faria novamente.
Não, não quero mais, nunca mais, me afastar dos meus amigos! Sabe por que? Porque justamente por ter ficado tão longe, tão distante, sem, muitas vezes, dar nenhuma notícia ou até fugir dos que me procuravam, percebi o quanto meus amigos valem ouro e o quanto são verdadeiros, pois me receberam de braços abertos, sem me acusar, me condenar ou apontar o dedo por eu ter "abandonado" eles, assim que eu decidi voltar e "aparecer"! A vida ensina, quero sempre aprender com ela! Os erros ensinam, não vou ficar chorando a minha culpa, perdoo a minha limitada essência humana e sigo em frente, aprendendo e querendo fazer melhor no presente e no futuro. Agradeço à Deus por ter me dado a graça de ter verdadeiros amigos.


A Palavra de Deus nos ensina que, "Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação" (Eclo 6, 7); e "Amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro. Ao amigo fiel não há nada que se compare, pois nada equivale ao bem que ele é. Amigo fiel é bálsamo de vida" (Eclo 6, 14-16). Portanto, posso dizer que nossa amizade foi provada, haja vista o meu tempo longe de ti e que, ainda assim, ela resistiu ao tempo e ao desamparo! E sabe de uma coisa,  a sabedoria divina sabe tirar do mal o bem, e é por isso que hoje, graças a essa provação, dou mais valor ainda para vocês, meus amigos, e sei exatamente, com mais certeza ainda, quem o são. Enfim, seguirei com convicção: "Não abandones um velho amigo: o novo não será semelhante a ele. Amigo novo é como vinho novo: quando ficar velho, o beberás com gosto." (Eclo 9, 14-15). Um brinde à verdadeira amizade!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Para toda ação...uma reação...

No amor ou na amizade, ou mesmo em família, não importa a relação, seja qual for, o que envolve sentimento está sujeito a isto: Ação e Reação em cadeia....atitudes, omissões, palavras e atos que não se escapam dos olhos fitos da realidade, mais cedo ou mais tarde, vêem à tona como uma avalanche, gota d`água em copo cheio... 
esse texto me fez pensar e repensar uma série de coisas:

"A FITA MÉTRICA DO AMOR - Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade. Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto. É pequena quando desvia do assunto. Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma. Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês. Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações. Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes. Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho." autora: Martha Medeiros

sábado, 29 de agosto de 2009

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"


"O Pequeno Princípe" é um livro cheio de  detalhes, mensagens, algumas explícitas, já outras, que necessitam de um pouco mais de sensibilidade e reflexão , mas que podem ser muito úteis para as nossas vidas se soubermos  interpretá-las e se as colocarmos em prática. 
Uma das quais eu mais gosto: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.".
No trecho abaixo, a raposa esperta ensina o pequeno príncipe a compartilhar e ajuda-lhe a ver que, apesar de existirem muitas e muitas flores parecidas, a rosa dele é única, e foi o tempo que ele dedicou a ela que a fez tão importante.
A raposa ensina ao principezinho que só conhecemos bem aquilo que cativamos. Cativar quer dizer conquistar e requer responsabilidade. O verbo “cativar” também significa “criar laços”. O conhecimento pleno de outra pessoa e o amor que surge entre dois seres humanos só se torna real a partir da experiência da conquista e quando se abre o coração para que isso aconteça. Nesse sentido, cativar significa realmente ser responsável pela pessoa que eu amo.
Responsabilidade por um amor, por um amigo, pelos dons que possuímos e pelo que conquistamos, não importa em qual seara da nossa vida, aquilo que cativamos tem que ser cuidado com amor para que cresça e se frutifique.
 Não devemos ter medo de sermos responsáveis por aquilo que cativamos, que amamos. A irresponsabilidade diante do outro ou o medo diante do novo apenas revela a fraqueza e a insegurança do nosso ser, o que tantas vezes reflete em pura covardia e nos inibe de assumirmos certas responsabilidades ou até de vivermos coisas que seriam grandes fontes de felicidade e de crescimento, pois é muita mais fácil e cômodo continuarmos como estamos, no mesmo lugar.
Para quem tiver a sensibilidade de enxergar o essencial e de ver com os olhos do coração, recomendo a leitura do referido trecho:

XXI
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer "cativar" ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis  e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É  a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas? Eu procuro amigos.
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim  único no mundo. E eu serei para ti  única no mundo...
[...]
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música. E depois olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me  tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa então calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor...cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! 
- Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte, o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração....É preciso ritos.
- O é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
-Ah! Eu vou chorar!
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
-Quis, disse a raposa.
-Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
-Então, não sais lucrando nada!
-Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
-Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam ddesapontadas.
-Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um  transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
-Adeus, disse ele....
-Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa.... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

SAINT- EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Princípe. 42. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1994.